terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Foi horrível assistir essa cena ontem! Acabei vendo essa terrível e repugnante cena, quando saia da aula de Dança afro/Maracatu na Fundição Progresso, com um grupo de mulheres negras, quando decidimos beber algo bem gelado e aproveitar o momento para discutir uma importante ação Cultural, cujo objetivo é ressignificar positivamente a imagem, de negros e negras de nossa sociedade , neste caso,sobretudo, a imagem das mulheres negras. Entendo que esse trabalho também auxilia na desconstrução da imagem desqualificada e depreciada de negr@s, fruto de um eficaz trabalho de séculos e séculos , que se soma a discursos cotidianos pseudojustificado racistas, do qual enfrentamos diariamente. Paralelo a isso, acontecia em uma TV do local onde estávamos a tal cena, carregada dessa ideologia, nos revoltando, mas, ao mesmo tempo, nos mostrando o quanto é importante ações como a que planejávamos...Obrigada Aline Valentim, Ana Maria Pereira, Fernanda Ribeiro, Ludmilla Almeida e Marina Alves por poder estar com vocês nessa ação cheia de beleza, axé, força e sabedoria!
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Neste sábado, dia 07/12/2013, foi realizada a última oficina da 1ª temporada Vivências do Balé. Um trabalho com dinâmicas de interação entre os mitos Yorubanos referentes às Iyabás – Orixás femininas cultuadas no Brasil - e suas semelhanças com ações cotidianas, propondo analisar aspectos políticos, sociais e culturais das mulheres no nosso dia-a-dia. Entre diálogos, trocas e experiências, traremos também para o corpo, uma possível interpretação para a gestualidade mitológica das Iyabás, compreendendo como se estabelece a manifestação dessas Orixás na terra, através da dança. A partir dos cinco temas: A criação do Mundo, A criação da Humanidade, Ser Mulher, Maternidade e Sexualidade, As Mulheres na Morte a atividade se desenvolveu no sentido de refletir e dialogar sobre o protagonismo da mulher, diante de sua luta, avanços e desafios diários, ao longo de nossa trajetória histórica. A avaliação do Grupo Cultural Balé das Iyabas, idealizadoras do projeto, juntamente com as participantes das oficinas foi pra lá de positiva, indicando a necessidade de continuidade desse trabalho, uma vez que
se constituiu nesse período, um espaço de reflexões e debates a cerca das questões feministas e de gênero vislumbramdo-se a possibilidade de se construir um "lugar seguro" como diz nossa companheira feminista Jelena Djordjevic, para mulheres se reunirem trocarem experiencias e se apoiarem, no intuito de se fortaleceram para os desafios cotidianos.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
TOM OGBOM -A História da Princesa Alafia e seu príncipe - Um Projeto que trabalha contos afro brasileiros que busca elevar a autoestima de crianças e adultos afro-brasileiros através da literatura; da recriação da imagem lúdica das princesas e príncipes; do incentivo ao convívio/amizade infantil com diferenças culturais e raciais e do contato com história e cultura africana!
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
ZUMBI DOS PALMARES: UM EXEMPLO DE RESISTÊNCIA
A história do Brasil, desde o início da
colonização portuguesa, foi marcada por uma acirrada luta de resistência dos
segmentos explorados (indígenas, negros) contra o regime colonial. Nesse
sentido cabe destacar o período de 1530/1888, no qual a luta dos escravos
negros contra a opressão e exploração tiveram uma grande relevância. De um lado
proprietários de terras escravagistas e de outro uma grande massa de escravos. Para
enfrentar essa situação os negros escravizados tiveram como principais armas as
fugas e a organização de quilombos. A organização dos quilombos foi a principal
forma encontrada pelos escravizados para enfrentar as opressões físicas,
econômicas, culturais e morais impostas pelos portugueses (classe dominante do
período).
Encontramos nos quilombos uma organização
econômica, baseada na agricultura de subsistência e uma organização militar
complexa, com táticas de guerrilha para enfrentar a coroa portuguesa.
Existiram no Brasil
colonial mais de 100 quilombos que se tornaram a principal forma de luta contra
o regime colonial explorador. É importante ressaltar que os quilombos
representaram os pólos de agregação dos oprimidos pelo antigo sistema reunindo,
além dos negros escravizados, índios e brancos pobres.
No processo de
resistência contra a opressão e exploração imposta aos escravos negros
destaca-se a luta de Zumbi e dos outros combatentes do Quilombo dos Palmares. Estes
foram os atores da maior tentativa de constituição de uma formação social negadora
do regime colonial baseada na exploração do trabalho escravo. Maior pelo tempo
que resiste (1595 – 1695), pelo contingente que abrigou (quase 10 mil
quilombolas) e pela área geográfica que abrangeu (Serra da Barriga, atual
Estado do Alagoas), local de grandes plantações de cana de açúcar.
Desde os primeiros anos
do século XVII, a região nordestina foi palco de lutas de resistências e de
fugas de escravos. Porém, foi a partir do início da guerra contra os holandeses
(1630 – 1654) que o movimento adquiriu caráter de massa, com a formação de dezenas
de mocambos e a constituição do Quilombo dos Palmares. Os negros escravizados
aproveitaram bem as contradições e conflitos da classe dominante, o que
acarretou um esvaziamento das plantações de açúcar, fato este que causou pânico
nos fazendeiros. Os ocupantes fazendeiros enviaram então duas expedições contra
Palmares, mas os resultados foram quase nulos.
Palmares era constituído
por dezenas de mocambos cada um tinha seu próprio líder. Durante os momentos de
perigo se reuniam sob o comando “rei”. O primeiro “rei” foi Ganga Zumba, líder
do maior mocambo, o do Macaco, capital de Palmares. Este era protegido por
diversas armadilhas mortais, como fojos (buracos cobertos por vegetação no
fundo dos quais se armavam paus de ponta), os estrepes (lança de madeira), também
escondidas por vegetação. Nos últimos dias havia uma cerca de mais de 5 mil
metros.
Em 1678 uma crise econômica impossibilitou
o governo colonial manter uma guerra prolongada e custosa contra Palmares. Nesse
sentido, o governo tentou buscar uma trégua. Foram oferecidas concessões aos
palmarinos, concessões estas que consistiam no direito de os negros
escravizados delimitarem um território para viverem em liberdade. Em troca,
eles deveriam entregar suas armas e não incentivar mais fugas de escravos. Ganga
Zumba defendeu essa proposta. Zumbi não aceitou, e rejeitou a proposta do
governador, pois desconfiava do acordo. Depois sua desconfiança se confirma O
Conselho Ultramarino, principal
autoridade portuguesa, não admitiu tal proeza, pois era inconciliável para o
sistema a existência de um território de negros livres no coração do Brasil.
A guerra recomeça com maior intensidade. O
governo então contrata Domingos Jorge Velho. Em 1692, a tropa de Jorge
Velho atacou os mocambos, mas foi derrotada. Apenas em 1694, quando receberam
reforços, conseguiram realizar o derradeiro ataque a Palmares. Em 5 de
fevereiro de 1694, quase sem munição,
Zumbi se retira com sua gente. O mocambo era protegido pelos lados, menos por
um que era protegido por um precipício. As tropas inimigas descobriram o
precipício e atacaram impiedosamente. Mais de 400 pessoas foram mortas naquela
madrugada, a maioria atirada pelo penhasco.
Porém, depois do ataque, Zumbi continuou
vivo e comandou um pequeno grupo de homens, mas um de seus homens foi
aprisionado e, sob tortura, revelou o esconderijo. Em 20 de novembro de 1695, o
grupo foi surpreendido e resistiu bravamente até o último homem. Zumbi estava
morto. Seu corpo foi decapitado e sua cabeça espetada na praça principal de
Recife.
O Quilombo dos Palmares
foi um exemplo histórico de resistência coletiva contra a exploração e opressão
racial e de classe. O significado da luta dos quilombolas de Palmares extrapola
a questão racial. Naquela luta estiveram reunidos elementos que se contrapunham
à ordem escravocrata da época, mas também embriões de uma forma social
coletivista, não baseada na exploração do homem pelo homem. Embora os escravos
negros constituíssem o principal contingente de lutadores, indígenas e brancos
pobres compuseram o quilombo e participaram da resistência.
A experiência de Palmares
indica que os explorados e oprimidos são capazes de construir importantes movimentos
contra regimes de exploração e opressão. A duração de Palmares e o extremo
esforço realizado pelos colonizadores portugueses para a sua destruição dão uma
dimensão da capacidade de organização e resistência dos explorados. No mesmo
sentido, ensina que estes são capazes de edificar formas de organização nas
quais predominem a igualdade e o respeito às diferenças.
Nestes tempos de ataques
sem precedentes realizados pelos atuais “senhores escravagistas” contra os
trabalhadores, a experiência de Palmares segue como símbolo de luta. Este
talvez seja este o seu maior legado e que sirva de exemplo para os atuais
explorados e oprimidos.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Minha poeta inspiradora...
Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
Cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
Às vezes parece erva, parece hera
Cuidado com essa gente que gera
Essa gente que se metamorfoseia
Metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
E ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
Mas é outro lugar, aí é que está:
Cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
Que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
Transforma fato em elemento
A tudo refoga, ferve, frita
Ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
É que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
É que tô falando na "vera"
Conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
Delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
Ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
Já se alcança a "cidade secreta"
A atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
Cai na condição de ser displicente
Diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
Que a mulher extrai filosofando
Cozinhando, costurando e você chega com mão no bolso
Julgando a arte do almoço: eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
Tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
Então esquece de morder devagar
Esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
Chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
Vaca é sua mãe. de leite.
Vaca e galinha...
Ora, não ofende. enaltece, elogia:
Comparando rainha com rainha
Óvulo, ovo e leite
Pensando que está agredindo
Que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
Cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
Às vezes parece erva, parece hera
Cuidado com essa gente que gera
Essa gente que se metamorfoseia
Metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
E ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
Mas é outro lugar, aí é que está:
Cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
Que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
Transforma fato em elemento
A tudo refoga, ferve, frita
Ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
É que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
É que tô falando na "vera"
Conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
Delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
Ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
Já se alcança a "cidade secreta"
A atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
Cai na condição de ser displicente
Diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
Que a mulher extrai filosofando
Cozinhando, costurando e você chega com mão no bolso
Julgando a arte do almoço: eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
Tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
Então esquece de morder devagar
Esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
Chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
Vaca é sua mãe. de leite.
Vaca e galinha...
Ora, não ofende. enaltece, elogia:
Comparando rainha com rainha
Óvulo, ovo e leite
Pensando que está agredindo
Que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!
segunda-feira, 13 de maio de 2013
125 anos da dita Abolição
125 de Abolição e
ainda é pertinente a letra do imortal samba enredo - 100 Anos de
Liberdade - Realidade Ou Ilusão? –Hoje fiquei pensando na luta contra o racismo
em nossa sociedade, cujo objetivo é a superação desse problema que
afetou todos os africanos raptados e trazidos para o Brasil
no período colonial e ainda hoje afeta seus descendentes. Como
é dito na famosa frase do mencionado samba - Livre dos açoites da senzala, mas
preso na miséria das favelas - na base da pirâmide
econômica, negligenciados no sistema de saúde, os jovens que mais morrem
de violência diariamente estão na faixa etária de 15 a 24 e são em sua maioria
homens negros, menor índice de escolaridade, as mulheres negras tem os
piores salários e são expostas a violência moral, física, psicológica... Infelizmente ainda temos que provar que o racismo existe e denunciá-lo
mostrando onde ele se esconde, em frases, olhares, exclusões , silêncios,
ausências, ... Esse mal é muitas das vezes silencioso e sutil, mas quando
ficamos atentos, o identificamos a todo momento.O racismo pode ser como um bicho que se esconde
atrás de algo, mas deixa o rabo aparecendo, e se o puxarmos o tal rabo vem todo o corpo do
bicho, neste momento é preciso estar preparado e tomar cuidado, pois ele quando
descoberto, fica furioso e te ataca, te fere, te machuca...
Entretanto, tivemos muitas
vitorias e ainda temos muita luta. Precisamos estar todos unidos nessa causa,
apoiarmos de alguma forma todo o tipo de manifestação que se proponha diminuir
ou acabar com esse problema. Precisamos apoiar todas as ações nesse sentido,
desde as atividades culturais até as políticas de igualdade racial. É preciso
estarmos atentos. Entendo que apesar de muitas conquistas, estamos atrasados,
ainda há muito o que fazer, é preciso muita sensibilização para
unidos diminuirmos, ou até mesmo superarmos esse mal.Assim, a luta contra o
racismo somado as lutas contra toda forma de opressão, nos fortalecera para
caminharmos em prol da igualdade de oportunidades, em prol da verdadeira
liberdade...
Sinara Rubia
terça-feira, 7 de maio de 2013
Texto de Paulo Rhasta
Hoje levantei da cama com a sensação de querer fazer algo diferente, com a sensação de querer aprender algo novo. Convidei meu fiel companheiro, o Kaylan , que vem a ser o primogênito da família Silva, chamados por alguns de Rhastinha. Pegamos o trem com destino a central do Brasil, o objetivo era chegar ao bairro do Humaita, zona sul.Pois lá aconteceria uma oficina voltada para “pais e filhos”, chamada TA NA MODA APRENDER: Oficina sustentável de moda infantil com Contação de Historia. Era uma oficina para valorizar a estética e a cultura de crianças e adultos afrobrasleiro com o reaproveitamento e reciclagem de tecidos.
Foi uma experiência incrível, pois os participantes tinham que recontar a historia que tínhamos acabado de ler, motivados pela contação de uma historia linda, a princesa Aliafiá nos trouxe. Só que alem de contar a historia, os grupos tinham que confeccionar os figurinos das personagens ou seus próprios figurino para a apresentação. Foi bacana ver mães, pais e filhos recontando aquelas historias de Reis, Princesas e Mitos africanos com o olhar deles...
Saí de lá com uma vontade comprar todos os livros de contos e de princesas africanas! Mas onde encontrar esses livros? Será que um dia Julia Vidall e Sinara Rúbia encontrarei em banca de jornal , sebos e livraria na mesma proporção que encontramos os contos Gregos, Romanos e Europeus , com suas Clássicas Princesas , Deusas e Guerreiras?
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