quarta-feira, 19 de março de 2014

Em 13/03/2014 foi criado o Coletivo Rainhas Negras ArtePoliticaFeministaNegra
O Coletivo  contempla grupos e indivíduos, mulheres que vêm , cada uma a seu modo, fazendo a diferença em seus campos de atuação.    
AXÉ MULHERES!!!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

 



" As mulheres negras conquistaram imensas vitórias. Elas tiveram acesso a áreas profissionais em que eram totalmente excluídas. Hoje, temos muito mais mulheres negras trabalhando, várias delas foram admitidas em sindicatos, universidades etc. Mas, por outro lado, mais negras estão sofrendo. O número de negras nas prisões, na prostituição e entre as dependentes de drogas aumentou..." ANGELA DAVIS

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014






Foi horrível assistir essa cena ontem! Acabei vendo essa terrível e repugnante cena, quando saia da aula de Dança afro/Maracatu na Fundição Progresso, com um grupo de mulheres negras, quando decidimos beber algo bem gelado e aproveitar o momento para discutir uma importante ação Cultural, cujo objetivo é ressignificar positivamente a imagem, de negros e negras de nossa sociedade , neste caso,sobretudo, a imagem das mulheres negras. Entendo que esse trabalho também auxilia na desconstrução da imagem desqualificada e depreciada de negr@s, fruto de um eficaz trabalho de séculos e séculos , que se soma a discursos cotidianos pseudojustificado racistas, do qual enfrentamos diariamente. Paralelo a isso, acontecia em uma TV do local onde estávamos a tal cena, carregada dessa ideologia, nos revoltando, mas, ao mesmo tempo, nos mostrando o quanto é importante ações como a que planejávamos...Obrigada Aline ValentimAna Maria PereiraFernanda RibeiroLudmilla Almeida e Marina Alves por poder estar com vocês nessa ação cheia de beleza, axé, força e sabedoria!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013





Neste sábado, dia 07/12/2013, foi realizada a última oficina da 1ª temporada Vivências do Balé. Um trabalho com dinâmicas de interação entre os mitos Yorubanos referentes às Iyabás – Orixás femininas cultuadas no Brasil - e suas semelhanças com ações cotidianas, propondo analisar aspectos políticos, sociais e culturais das mulheres no nosso dia-a-dia. Entre diálogos, trocas e experiências, traremos também para o corpo, uma possível interpretação para a gestualidade mitológica das Iyabás, compreendendo como se estabelece a manifestação dessas Orixás na terra, através da dança. A partir dos cinco temas: A criação do Mundo, A criação da Humanidade, Ser Mulher, Maternidade e Sexualidade, As Mulheres na Morte a atividade se desenvolveu no sentido de refletir e dialogar sobre o protagonismo da mulher, diante de sua luta, avanços e desafios diários, ao longo de nossa trajetória histórica. A avaliação do Grupo Cultural Balé das Iyabas, idealizadoras do projeto, juntamente com as participantes das oficinas foi pra lá de positiva, indicando a necessidade de continuidade desse trabalho, uma vez que

se constituiu nesse período, um espaço de reflexões e debates a cerca das questões feministas e de gênero vislumbramdo-se a possibilidade de se construir um "lugar seguro" como diz nossa companheira feminista Jelena Djordjevic, para mulheres se reunirem trocarem experiencias e se apoiarem, no intuito de se fortaleceram para os desafios cotidianos.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013


TOM OGBOM -A História da Princesa Alafia e seu príncipe - Um Projeto que trabalha contos afro brasileiros que busca elevar a autoestima de crianças e adultos afro-brasileiros através da literatura; da recriação da imagem lúdica das princesas e príncipes; do incentivo ao convívio/amizade infantil com diferenças culturais e raciais e do contato com história e cultura africana!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

ZUMBI DOS PALMARES: UM EXEMPLO DE RESISTÊNCIA



A história do Brasil, desde o início da colonização portuguesa, foi marcada por uma acirrada luta de resistência dos segmentos explorados (indígenas, negros) contra o regime colonial. Nesse sentido cabe destacar o período de 1530/1888, no qual a luta dos escravos negros contra a opressão e exploração tiveram uma grande relevância. De um lado proprietários de terras escravagistas e de outro uma grande massa de escravos. Para enfrentar essa situação os negros escravizados tiveram como principais armas as fugas e a organização de quilombos. A organização dos quilombos foi a principal forma encontrada pelos escravizados para enfrentar as opressões físicas, econômicas, culturais e morais impostas pelos portugueses (classe dominante do período).
Encontramos nos quilombos uma organização econômica, baseada na agricultura de subsistência e uma organização militar complexa, com táticas de guerrilha para enfrentar a coroa portuguesa.
Existiram no Brasil colonial mais de 100 quilombos que se tornaram a principal forma de luta contra o regime colonial explorador. É importante ressaltar que os quilombos representaram os pólos de agregação dos oprimidos pelo antigo sistema reunindo, além dos negros escravizados, índios e brancos pobres.
No processo de resistência contra a opressão e exploração imposta aos escravos negros destaca-se a luta de Zumbi e dos outros combatentes do Quilombo dos Palmares. Estes foram os atores da maior tentativa de constituição de uma formação social negadora do regime colonial baseada na exploração do trabalho escravo. Maior pelo tempo que resiste (1595 – 1695), pelo contingente que abrigou (quase 10 mil quilombolas) e pela área geográfica que abrangeu (Serra da Barriga, atual Estado do Alagoas), local de grandes plantações de cana de açúcar.
Desde os primeiros anos do século XVII, a região nordestina foi palco de lutas de resistências e de fugas de escravos. Porém, foi a partir do início da guerra contra os holandeses (1630 – 1654) que o movimento adquiriu caráter de massa, com a formação de dezenas de mocambos e a constituição do Quilombo dos Palmares. Os negros escravizados aproveitaram bem as contradições e conflitos da classe dominante, o que acarretou um esvaziamento das plantações de açúcar, fato este que causou pânico nos fazendeiros. Os ocupantes fazendeiros enviaram então duas expedições contra Palmares, mas os resultados foram quase nulos.
Palmares era constituído por dezenas de mocambos cada um tinha seu próprio líder. Durante os momentos de perigo se reuniam sob o comando “rei”. O primeiro “rei” foi Ganga Zumba, líder do maior mocambo, o do Macaco, capital de Palmares. Este era protegido por diversas armadilhas mortais, como fojos (buracos cobertos por vegetação no fundo dos quais se armavam paus de ponta), os estrepes (lança de madeira), também escondidas por vegetação. Nos últimos dias havia uma cerca de mais de 5 mil metros.
Em 1678 uma crise econômica impossibilitou o governo colonial manter uma guerra prolongada e custosa contra Palmares. Nesse sentido, o governo tentou buscar uma trégua. Foram oferecidas concessões aos palmarinos, concessões estas que consistiam no direito de os negros escravizados delimitarem um território para viverem em liberdade. Em troca, eles deveriam entregar suas armas e não incentivar mais fugas de escravos. Ganga Zumba defendeu essa proposta. Zumbi não aceitou, e rejeitou a proposta do governador, pois desconfiava do acordo. Depois sua desconfiança se confirma O Conselho Ultramarino,  principal autoridade portuguesa, não admitiu tal proeza, pois era inconciliável para o sistema a existência de um território de negros livres no coração do Brasil.
A guerra recomeça com maior intensidade. O governo então contrata Domingos Jorge Velho. Em 1692, a tropa de Jorge Velho atacou os mocambos, mas foi derrotada. Apenas em 1694, quando receberam reforços, conseguiram realizar o derradeiro ataque a Palmares. Em 5 de fevereiro de 1694, quase  sem munição, Zumbi se retira com sua gente. O mocambo era protegido pelos lados, menos por um que era protegido por um precipício. As tropas inimigas descobriram o precipício e atacaram impiedosamente. Mais de 400 pessoas foram mortas naquela madrugada, a maioria atirada pelo penhasco.
Porém, depois do ataque, Zumbi continuou vivo e comandou um pequeno grupo de homens, mas um de seus homens foi aprisionado e, sob tortura, revelou o esconderijo. Em 20 de novembro de 1695, o grupo foi surpreendido e resistiu bravamente até o último homem. Zumbi estava morto. Seu corpo foi decapitado e sua cabeça espetada na praça principal de Recife.

O Quilombo dos Palmares foi um exemplo histórico de resistência coletiva contra a exploração e opressão racial e de classe. O significado da luta dos quilombolas de Palmares extrapola a questão racial. Naquela luta estiveram reunidos elementos que se contrapunham à ordem escravocrata da época, mas também embriões de uma forma social coletivista, não baseada na exploração do homem pelo homem. Embora os escravos negros constituíssem o principal contingente de lutadores, indígenas e brancos pobres compuseram o quilombo e participaram da resistência.
A experiência de Palmares indica que os explorados e oprimidos são capazes de construir importantes movimentos contra regimes de exploração e opressão. A duração de Palmares e o extremo esforço realizado pelos colonizadores portugueses para a sua destruição dão uma dimensão da capacidade de organização e resistência dos explorados. No mesmo sentido, ensina que estes são capazes de edificar formas de organização nas quais predominem a igualdade e o respeito às diferenças.

Nestes tempos de ataques sem precedentes realizados pelos atuais “senhores escravagistas” contra os trabalhadores, a experiência de Palmares segue como símbolo de luta. Este talvez seja este o seu maior legado e que sirva de exemplo para os atuais explorados e oprimidos.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Minha poeta inspiradora...

Elisa Lucinda

Aviso da Lua Que Menstrua
Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
Cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
Às vezes parece erva, parece hera
Cuidado com essa gente que gera
Essa gente que se metamorfoseia
Metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
E ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
Mas é outro lugar, aí é que está:
Cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
Que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
Transforma fato em elemento
A tudo refoga, ferve, frita
Ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
É que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
É que tô falando na "vera"
Conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
Delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
Ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
Já se alcança a "cidade secreta"
A atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
Cai na condição de ser displicente
Diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
Que a mulher extrai filosofando
Cozinhando, costurando e você chega com mão no bolso
Julgando a arte do almoço: eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
Tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
Então esquece de morder devagar
Esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
Chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
Vaca é sua mãe. de leite.
Vaca e galinha...
Ora, não ofende. enaltece, elogia:
Comparando rainha com rainha
Óvulo, ovo e leite
Pensando que está agredindo
Que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!